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		<title>Selo Povo: inspirado no tráfico, Ferréz lança livros a R$ 5,00</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 00:21:19 +0000</pubDate>
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Ferréz segue surpreendendo. Escritor e empreendedor comprometido com sua origem e seus pares, na periferia de São Paulo, ele encontrou na logística do tráfico de drogas a inspiração para um modelo alternativo de distribuição de livros. A editora L.M. (Literatura Marginal) lança em julho o Selo Povo com um livro seu, Cronista de um Tempo [...]


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<div id="attachment_1136" class="wp-caption alignleft" style="width: 234px"><img class="size-medium wp-image-1136" src="http://cultura.reportersocial.com.br/files/2009/05/ferrez01-224x300.jpg" alt="Escritor Ferréz lança selo para promover literatura nas periferias" width="224" height="300" /><p class="wp-caption-text">Escritor Ferréz lança selo para promover literatura nas periferias</p></div>
<p>Ferréz segue surpreendendo. Escritor e empreendedor comprometido com sua origem e seus pares, na periferia de São Paulo, ele encontrou na logística do tráfico de drogas a inspiração para um modelo alternativo de distribuição de livros. A editora L.M. (Literatura Marginal) lança em julho o Selo Povo com um livro seu, Cronista de um Tempo Ruim, em seis Estados: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rondônia. Os livros custarão R$ 5,00 – ou “o preço de uma cerveja e meia, e mais barato que um prato feito”.</p>
<p class="western">No site <a href="http://selopovo.blogspot.com/">http://selopovo.blogspot.com</a> Ferréz avisa aos parceiros: “os distribuidores somos nós”. “Salve guerreiro, você que tem comércio em alguma região periférica, ou é um militante da cultura de rua, ou mesmo se é só um mano ou uma mina querendo fazer parte da verdadeira revolução, mande um e-mail pra gente no <a href="mailto:literaturamarginal@ibest.com.br">literaturamarginal@ibest.com.br</a> e vamos te contactar para distribuir nossos livros, o ganho é de 20% do material”.</p>
<p class="western">A idéia do escritor é que a periferia tenha acesso à leitura – e que o leitor seja um “traficante de informação”. O formato da coleção, inicialmente de oito livros, será o de bolso. “Na livraria eles custam no mínimo R$ 20,00”, diz Ferréz. “O Selo Povo foi criado para fazer o livro chegar a quem realmente precisa ler, é também uma forma de mostrar ao mercado a faltade senso referente ao preço das obras”.</p>
<p class="western">O segundo livro, Amazônia em Chamas, será da escritora Cernov, de Manaus. A tiragem variará entre 1.000 e 1.500 exemplares. O selo também terá DVDs, por R$ 9,99. O primeiro será sobre Literatura e Resistência, com lançamento em junho no Itaú Cultural. Além de Ferréz, traz também depoimentos de Paulo Lins (da Cidade de Deus), do músico Chico César, do escritor pernambucano Marcelínio Freire (prêmio Jabuti em 2006) e de Eduardo, do grupo de rap paulistano Facção Central.</p>
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</div>

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		<title>74 organizações pedem votação imediata das cotas</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 19:41:26 +0000</pubDate>
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Setenta e quatro organizações brasileiras divulgaram nesta quarta-feira, dia 6 de maio, um documento em favor da aprovação imediata do projeto de lei 180/08, relatado pela senadora Serys Shlessarenko (PT-MS). Trata-se de uma declaração pública conjunta entre movimentos sociais e organizações não-governamentais de diferentes ramos de atuação. Essa agilidade na articulação entre movimentos sociais ganha [...]


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<div id="WordsSecf13a535f884e56dd8f15817e8e53d5b5"><p>Setenta e quatro organizações brasileiras divulgaram nesta quarta-feira, dia 6 de maio, um documento em favor da aprovação imediata do projeto de lei 180/08, relatado pela senadora Serys Shlessarenko (PT-MS). Trata-se de uma declaração pública conjunta entre movimentos sociais e organizações não-governamentais de diferentes ramos de atuação. Essa agilidade na articulação entre movimentos sociais ganha força com a internet e a experiência de eventos como o Fórum Social Mundial. Confira a lista, dividida por segmentos:</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Movimento negro:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Articulação de Mulheres Negras Brasileiras</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação dos Filhos e Amigos Ilê Iyá Omi Axé Ofa Kare</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Coletivo de Entidades Negras &#8211; CEN</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Coletivo de Empresários e Empreendores Afro-brasileiros &#8211; Ceabra</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Coordenação Nacional de Entidades Negras &#8211; Conen</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Criola</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Educafro</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico-Racial do Maranhão</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Geledés – Instituto da Mulher Negra</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Movimento de Inteligência Negra &#8211; MIN</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Movimento Negro Unificado – MNU</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Nação Hip-Hop</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Núcleo de Estudantes Negras e Negros da Universidade Estadual de Feira de Santana</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Uneafro</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Movimento indígena:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Articulação dos Povos Indígenas do Brasil</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste Minas Gerais e Espírito Santo – Apoinme</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação dos Professores Indígenas do Tocantins<br />
Centro Indígena de Estudos e Pesquisas &#8211; Cinep</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Coiab</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Conselho Indigenista Missionário &#8211; Cimi</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas – FDDI</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual &#8211; Inbrapi</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Rede Grumin de Mulheres Indígenas</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">União dos Estudantes Indígenas do Tocantins &#8211; Uneit</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Educação:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Campanha Nacional pelo Direito à Educação</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes – Cesec</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Universidade Cândido Mendes</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">União Nacional dos Estudantes &#8211; Une</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">União Brasileira dos Estudantes Secundaristas &#8211; Ubes</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Movimento dos Sem Universidade &#8211; MSU</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Gênero:</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexxuais &#8211; ABLGT</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Ações em Gênero, Saúde e Desenvolvimento – Agende</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Anis – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Articulação de Mulheres Brasileiras</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação de Mulheres Articuladoras de Lauro de Freitas – Amaa</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação das Donas de Casa do Estado da Bahia</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Cfemea</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Corpus Crisis – Coletivo de Política Feminista</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fórum de Mulheres de Pernambuco</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fórum de Mulheres Negras do DF</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fórum de Mulheres Piauienses</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Gênero, Mulher, Desenvolvimento e Ação para a Cidadania – Gemdac</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Gesto &amp; Ação</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Grupo Curumim</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Identidade – Grupo de Luta pela Diversidade Sexual</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Instituto Papai</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Instituto Patrícia Galvão</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Marcha Mundial de Mulheres</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Rede de Desenvolvimento Humano – RedeH</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Sindicatos:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação dos Trabalhadores em Educação de Porto Seguro</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil &#8211; CTB</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Central Geral dos Trabalhadores do Brasil &#8211; CGTB</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">CNTE</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino &#8211; Contee</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">CUT</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Força Sindical</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Nova Central Sindical</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">UGT</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm"><strong>Outros:</strong></p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais &#8211; Abong</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Action Aid Brasil</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids &#8211; Abia</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Associação de Difusão Comunitária Utopia<br />
CNAIJ</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Comunidade Bahá&#8217;í</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS<br />
Escola de Formação Política e Cidadania &#8211; Espaf</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fórum de Promotoras Legais Populares do DF</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Fundação Heinrich Böll</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Instituto de Estudos Socioeconômicos – Inesc</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Movimento Nacional de Direitos Humanos</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Observatório da Cidadania</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm">Pastoral da Juventude</p>

<small>
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		<title>Violência contra pessoa é o que mais preocupa brasileiros, diz o Pnud</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 00:42:19 +0000</pubDate>
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A violência e a educação são as duas principais preocupações do brasileiro, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Esses dados serão divulgados à imprensa na semana que vem por Flávio Comim, coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano (2009/2010). O programa Ponto a Ponto colheu as impressões de mais de 300 mil [...]


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<div id="WordsSec0fdef9b210ed0a2778338e00953c04a5"><p>A violência e a educação são as duas principais preocupações do brasileiro, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Esses dados serão divulgados à imprensa na semana que vem por Flávio Comim, coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano (2009/2010). O programa Ponto a Ponto colheu as impressões de mais de 300 mil brasileiros sobre os problemas do país – desde o diagnóstico do problema até as sugestões.</p>
<p>Os dados preliminares mostram que, no caso da violência, a queixa maior da população não está nos casos de violência contra a propriedade, mas sim a violência contra a pessoa. “São casos de pai que bate em filho, filho que bate em pai, aluno que bate em professor”, exemplifica Comim, consultor do Pnud e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Ele adiantou os dados durante o II Seminário Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, em São Paulo.</p>
<p>O método utilizado pelo programa Ponto a Ponto para ouvir as pessoas foi considerado por ele uma novidade mundial, em meio aos 600 relatórios feitos em dezenas de países. A pergunta feita às pessoas foi: o que precisa mudar no Brasil para melhorar sua vida?  “Sem comunicação não há desenvolvimento humano”, defendeu o consultor.</p>
<p>O objetivo do Pnud é que o próximo relatório não fique perdido nas estantes ou em ambientes acadêmicos, mas se torne uma referência para muito mais gente.  Ele chamou essa postura do organismo da ONU como defesa da “razão pública” &#8211; uma razão que democratize a experiência dos outros. “Não dá para decidir em um escritório com ar-condicionado em Brasília o que as pessoas estão pensando”, afirmou.</p>
<p>O relatório deve ficar pronto em março de 2010.</p>
<p><strong>Alceu Luís Castilho</strong></p>

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		<title>Direitos dos animais em SP: dos militantes aos políticos</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2009 04:29:47 +0000</pubDate>
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O Centro de Controle de Zoonoses afirmou-se nos últimos anos como o principal vilão para os defensores dos direitos dos animais em São Paulo. Na semana passada, centenas de manifestantes protestaram em frente do órgão da prefeitura, na zona norte paulistana. Dispersos e bastante desorganizados, representando dezenas de pequenas ONGs, variaram muito o discurso. Mas, [...]


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<div id="WordsSec96993f54199f29e031a19672d8987ed3"><div id="attachment_1149" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><img class="size-medium wp-image-1149" src="http://ambiente.reportersocial.com.br/files/2009/05/zoonoses4-270x300.jpg" alt="Manifestantes visam diretor do CCZ, mas também prefeito Kassab" width="270" height="300" /><p class="wp-caption-text">Manifestantes visam diretor do CCZ, mas também prefeito Kassab</p></div>
<p>O Centro de Controle de Zoonoses afirmou-se nos últimos anos como o principal vilão para os defensores dos direitos dos animais em São Paulo. Na semana passada, centenas de manifestantes protestaram em frente do órgão da prefeitura, na zona norte paulistana. Dispersos e bastante desorganizados, representando dezenas de pequenas ONGs, variaram muito o discurso. Mas, de um modo geral, não pouparam o prefeito Gilberto Kassab (DEM). O slogan mais gritado pelos manifestantes foi: “Ou muda ou fecha”. Não só inúmeras faixas citavam o prefeito como os militantes consideravam que o problema de maus tratos contra cães e gatos no CCZ não acabará com a saída do atual diretor. A esse protesto do dia 29 de abril deve se somar outro, prometem eles, e em frente da prefeitura, no Viaduto do Chá. Caso isso se confirme, será criado um fato político em São Paulo &#8211; nenhum político que preze votos e mídia quer briga com a classe média.</p>
<p class="western">Mas os dois políticos presentes ao ato tinham outro foco: o diretor do CCZ, Marco Antonio Vigilato. O vereador Roberto Tripoli (PV), por muitos anos um tucano, e o deputado Feliciano Filho (PV), fizeram uma cena clara de desautorização de Vigilato. Eles estavam em uma reunião com o diretor e cinco representantes das organizações ambientalistas. De repente, levantaram-se da mesa e foram embora – alegando que Vigilato estava tergiversando, desviando-se propositalmente das reivindicações. Diante do público, bastante emotivo e em boa parte pouco acostumado com atos políticos, foram enérgicos. “Com esse diretor não tem acordo”, discursou Tripoli. “Queríamos uma agenda, de quando vão começar a castração, as feiras de adoção. Como ele não quis falar, quem vai fazer a agenda&#8230; somos nós!!!”. O público adorou.</p>
<p class="western">Vejamos agora se o radicalismo dos políticos aplica-se também em relação ao prefeito Gilberto Kassab – que, nas faixas e cartazes, foi tão lembrado quanto Vigilato. O deputado Feliciano Filho falou de modo indignado com a reportagem sobre a situação no Centro de Zoonoses. “Apenas diminuiu a matança, não estão cumprindo a lei”, afirmou. Mas quando perguntado se apoiaria um protesto contra Kassab, centrou fogo em Vigilato. “Quem monta a política pública do órgão é o diretor do órgão”, raciocinou. “A culpa toda é de gestão”. Mas e Kassab? “Tive uma reunião com ele na semana passada.” Perguntei se o prefeito estava ciente das matanças, dos maus tratos, de todas as denúncias divulgadas em massa pela internet nos últimos messes. “Se ele mudar a direção, resolve o problema”, garante Feliciano.</p>
<p class="western">Não é o que pensam os militantes.</p>
<p class="western">Tomemos a estudante Estela Pop, aluna de Psicologia, 24 anos e uma grande tatuagem no braço esquerdo pela “Libertação Animal”. Ela participa da ONG Ativismo Vegetariano. Há três anos está engajada na luta contra os maus tratos no CCZ. Fica indignada ao falar da suposta matança de animais sadios no CCZ, um ano após a promulgação da Lei Feliciano (do deputado Feliciano Filho), que só admite a eutanásia de animais em casos excepcionais. “O Vigilato também obedece”, diz ela. “O ideal é falar com quem manda. Que caiam todos os diretores que tenham que cair. Eles não podem ser coniventes com todo esse absurdo. Mas é preciso ver quem está acima.&#8221;</p>
<p class="western">Ou ouçamos o ativista Fábio Paiva, um designer gráfico de 50 anos que possui 11 gatos e um cachorro. Militante desde 1982, criador da ONG Holocausto Animal, ele só parou por alguns minutos de falar em seu megafone, durante a manifestação em frente do CCZ. Radical, considera que militante que é militante falta ao emprego para participar de manifestações como a deste dia 29 de abril. Não poupa ninguém. “Ele é o diretor, infelizmente. Temos de atacar o diretor. Se ele concordar com as mudanças na reunião (Paiva falava antes da desistência dos deputados), ótimo. Se não adiantar mudar o diretor, vamos direto ao Kassab”.</p>
<p class="western">Ou escutemos a serena Nina Rosa, que dá nome ao Instituto Nina Rosa, especializado em defesa animal, consumo sem crueldade e vegetarianismo. Ela foi a terceira (entre sete) a abandonar a reunião com Marco Antonio Vigilato – logo após o vereador e o deputado. Não ficou decepcionada, pois só se decepcionaria se tivesse alguma expectativa positiva. Não tem nada a favor do atual diretor da Zoonoses, muito pelo contrário, mas faz uma análise mais ampla – e histórica – da situação. “Está claro que o problema é a estrutura, e não este ou aquele diretor. O CCZ não é lugar de cuidar de animais. Como diz o nome, foi criado para combater zoonoses. Se existe vontade política de mudança deve ser mudado o local. Não precisa acabar com isto aqui: o CCZ continua defendendo o ser humano, combatendo as zoonoses, e vamos criar um local para defender os animais.”</p>
<p class="western"><strong>Alceu Luís Castilho</strong></p>

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		<title>Do MST a Augusto Boal: &#039;Você não se vendeu&#039;</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2009 01:46:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>moderador</dc:creator>
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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra homenageou a seu modo, e em nome dos oprimidos, o dramaturgo Augusto Boal, morto aos 78 anos neste domingo. Confira a “Mensagem do MST sobre a viagem inesperada de Augusto Boal”: 
&#8220;Companheiro Boal,
a ti sempre estimaremos, por nos ter ensinado que só aprende quem ensina. Tua luta, tua consciência política, [...]


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<div id="WordsSec1d5a27b72f8ce4faf21dc5c1e8e3b230"><p class="MsoNormal"><!--[if gte mso 10]&gt;--><em>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra homenageou a seu modo, e em nome dos oprimidos, o dramaturgo Augusto Boal, morto aos 78 anos neste domingo. Confira a “Mensagem do MST sobre a viagem inesperada de Augusto Boal”:</em><span style="font-size: 10pt;font-family: Arial"> </span></p>
<p class="MsoNormal">&#8220;Companheiro Boal,</p>
<p class="MsoNormal">a ti sempre estimaremos, por nos ter ensinado que só aprende quem ensina. Tua luta, tua consciência política, tua solidariedade com a classe trabalhadora é mais que um exemplo para nós, companheiro, é uma obra didática, como tantas que escreveu. Aprendemos contigo que os bons combatentes se forjam na luta.</p>
<p class="MsoNormal">Quando ingressou no coletivo do Teatro de Arena, soube dar expressão combativa ao anseio daqueles que queriam ver o Brasil popular, o povo brasileiro. Sem temor, nacionalizou obras universais, formou dramaturgos e atores e escreveu algumas das peças mais críticas de nosso teatro, como Revolução na América do Sul (1961). Colaborou com a criação e expansão pelo Brasil dos Centros Populares de Cultura (CPC) e as ações do Movimento de Cultura Popular (MCP), em Pernambuco.</p>
<p class="MsoNormal">Mostrou para a classe trabalhadora que o teatro pode ser uma arma revolucionária a serviço da emancipação humana.</p>
<p class="MsoNormal">Aprendeu, no contato direto com os combatentes das Ligas Camponesas, que só o teatro não faz revolução. Quantas vezes contou nos teus livros e em nossos encontros de teu aprendizado com Virgílio, o líder camponês que te fez observar que na luta de classes todos tem que correr o mesmo risco.</p>
<p class="MsoNormal">Generoso, expôs sempre por meio dos relatos de suas histórias, seu método de aprendizado: aprender com os obstáculos, criar na dificuldade, sem jamais parar a luta.</p>
<p class="MsoNormal">Na ditadura, foi preso, torturado e exilado. No contra-ataque, desenvolveu o Teatro do Oprimido, com diversas táticas de combate e educação por meio do teatro, que hoje fazemos uso em nossas escolas do campo, em nossos acampamentos e assentamentos, e no trabalho de formação política que desenvolvemos com as comunidades de periferia urbana.</p>
<p class="MsoNormal">Poucas pessoas no Brasil atravessaram décadas a fio sem mudar de posição política, sem abrandar o discurso, sem fazer concessões, sem jogar na lata de lixo da história a experiência revolucionária que se forjou no teatro brasileiro, até seu esmagamento pela burguesia nacional e os militares, com o golpe militar de 1964.</p>
<p class="MsoNormal">Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao mesmo tempo, que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política.</p>
<p class="MsoNormal">Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos monopólios da mídia, mesmo quando passaram por dificuldades financeiras. Você, companheiro, não se vergou, não se vendeu, não se calou.</p>
<p class="MsoNormal">Aprendemos contigo que um revolucionário deve lutar contra todas - absolutamente todas - as formas de opressão. Contemporâneo de Che Guevara, soube como ninguém multiplicar o legado de que é preciso se indignar contra todo tipo de injustiça.</p>
<p class="MsoNormal">Poucos atacaram com tanta radicalidade as criminosas leis de incentivo fiscal para o financiamento da cultura brasileira. Você, companheiro, não se deixou seduzir pelos privilégios dos artistas renomados. Nos ensinou a mirar nos alvos certeiros.</p>
<p class="MsoNormal">Incansável, meio século depois de teus primeiros combates, propôs ao MST a formação  de multiplicadores teatrais em nosso meio. Em 2001 criamos contigo, e com os demais companheiros e companheiras do Centro do Teatro do Oprimido, a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré. Você que na década de 1960 aprendeu com Virgílio que não basta o teatro dizer ao povo o que fazer, soube transferir os meios de produção da linguagem teatral para que nós, camponeses, façamos nosso próprio teatro, e por meio dele discutir nossos problemas e formular estratégias coletivas para a transformação social.</p>
<p class="MsoNormal">Nós, trabalhadoras e trabalhadores rurais Sem Terra de todo o Brasil, como parte dos seres humanos oprimidos pelo sistema que você e nós tanto combatemos, lhes rendemos homenagem, e reforçamos o compromisso de seguir combatendo em todas as trincheiras. No que depender de nós, tua vida e tua luta não será esquecida e transformada em mercadoria.</p>
<p class="MsoNormal">O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador, e o MST um companheiro. Nos solidarizamos com a família nesse momento difícil, e com todos e todas praticantes de Teatro do Oprimido no mundo.&#8221;</p>

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		<title>SP precisa agora de uma Virada Ambiental</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 18:28:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>moderador</dc:creator>
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<div id="WordsSecf550135f22cc4a4ecd4707e57fdcb90a"><p>A Virada Cultural se foi. Foram dois dias – e toneladas de lixo e falta de educação. A falta de educação ambiental (procurar uma lixeira ou guardar o próprio lixo) foi generalizada, por todas as classes sociais, em meio aos 4 milhões de pessoas que compareceram ao evento na região central de São Paulo. Mas a regência dessa baderna tem na prefeitura paulistana sua maior expressão. Lixos mais do que insuficientes e banheiros químicos com falta de manutenção fizeram das ruas do centro um cenário do caos. Parecia que estávamos dentro do filme Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles. A vida mais uma vez imita a arte – de forma tosca e perfeitamente evitável.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">São Paulo precisa de uma espécie de Virada Ambiental. De um choque de informações mínimas sobre respeito ao meio ambiente, de cidadãos que saibam respeitar o espaço público, de uma administração que jogue para o público, e não para a platéia midiática. De que adianta comemorar os 4 milhões de pessoas respirando arte por dois dias se o mau cheiro era de Quarto Mundo? Tom Zé, Benito de Paula (salve a democracia cultural), o vocalista do Frank Zappa? Que ótimo. Um bailarino francês contracenando com uma retroescavadeira em pleno Anhangabaú? Excelente. Alguém na Secretaria Municipal de Cultura está bem informado. Mas na Limpeza Urbana e no Meio Ambiente e nas Administrações Regionais e no gabinete do prefeito os gestores parecem andar meio distraídos.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O prefeito Gilberto Kassab e os administradores regionais (da Sé à frente) deveriam se envergonhar de proclamar o sucesso do evento. Cultura e educação devem andar juntos. E a educação ambiental do evento foi abaixo de zero – um exemplo ridículo para moradores e visitantes. Crianças que tenham ido ao centro no domingo, dia 3 de maio, podem não querer mais visitar a região. Associá-la à degradação. Mas a assessoria de imprensa da maior cidade do País prefere explicar o problema a partir apenas do fato de as pessoas não jogarem o lixo nos cestos – como se eles fossem proporcionais à multidão divulgada.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">A Virada Ambiental pode fazer parte da própria Virada Cultural. Artistas e apresentadores falando de lixo, de educação ambiental, tantas vezes quantas forem necessárias para que a cidade não se torne um cenário de dejetos. Quiosques sobre o tema estrategicamente espalhados. Claro, com a contrapartida obrigatória dos administradores – cestos e banheiros químicos e segurança em número decente e a qualidade que a capital cultural do país merece. Diante da cegueira coletiva, que o sinal de alerta seja disparado. Não é assim que se faz uma cidade, não é assim que se exerce a cidadania. Se o bailarino francês mostrou intimidade com a retroescavadeira, vamos ver o que a prefeitura sabe fazer com um caminhão de lixo. Caso não faça nada, a cada vez que falarem de cultura o paulistano terá de sacar sua pazinha.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>Alceu Luís Castilho</strong></p>

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		<title>Em SP, ato contra a “crise do capitalismo”</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 18:13:53 +0000</pubDate>
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A esquerda dividida conseguiu se unir em um pacto contra a crise. Em São Paulo, num dos atos do Ato Internacional Unificado contra a Crise, pelo menos 25 movimentos sociais e centrais sindicais adotaram palavras-de-ordem comuns, em meio às diferenças que marcam os setores. “Não é crise do crédito, crise do sistema financeiro”, discursavam alguns [...]


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<div id="WordsSec522b669407e9a9f751289e86b3076acb"><p>A esquerda dividida conseguiu se unir em um pacto contra a crise. Em São Paulo, num dos atos do Ato Internacional Unificado contra a Crise, pelo menos 25 movimentos sociais e centrais sindicais adotaram palavras-de-ordem comuns, em meio às diferenças que marcam os setores. “Não é crise do crédito, crise do sistema financeiro”, discursavam alguns ativistas. “É crise do capitalismo.” A expressão “crise do capitalismo” pegou. Não foi dita só por alguns, na hora dos discursos oficiais, no palanque em frente do Teatro Municipal, mas bradada ao longo de todo o trajeto, da Avenida Paulista até a Praça Ramos, no centro da cidade.</p>
<p>Mas foi a própria passeata o principal discurso dos movimentos sociais, neste dia 30 de março. Foi pelo conjunto de imagens que se deu a unidade da marcha. Não eram tantos representantes de cada instituição, mas eram muitas delas. Estudantes, representantes de movimentos de mulheres, GLBT deram cores ao desfile de faixas contra os juros e pelo emprego. No melhor estilo “passeatas contra o Collor”, de 1992, alguns ativistas utilizaram a linguagem teatral para protestar contra os poderosos da vez: o presidente Lula, o governador Serra, o presidente da Embraer. “Não somos nós que vamos pagar pela crise”, diziam todos.</p>
<p>Claro, engravatados pela Avenida Paulista observavam a marcha do MST como se fossem extraterrestres, fazendo gracejos. Para milhares de brasileiros se manifestando não podiam faltar também centenas de policiais, bastante preocupados com o fluxo do trânsito (não é permitido em São Paulo ocupar todas as faixas durante protestos). Era também uma união peculiar, entre Força Sindical, CUT e centrais ainda muito pouco conhecidas, entre Psol e PcdoB (mas sem o PT), entre UNE/Ubes e seus opositores. Todos preocupados com o que para alguns deles é “a maior crise desde 1929”. Mas foram feitos os instantes de democracia.</p>

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		<title>Marcha Mundial das Mulheres homenageia palestinos</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2009 17:38:31 +0000</pubDate>
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A Marcha Mundial das Mulheres decidiu, durante o evento em São Paulo pelo emprego e contra a crise, enfatizar a luta do povo palestino pela terra. Uma grande faixa lembrava o Dia da terra, desde 30 de março de 1976 (quando seis palestinos foram assassinados pelo exército israelense durante uma mnifestação) uma homenagem à resistência. [...]


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<div id="WordsSec544844d46f9c7a7c21d7866f4ff8827e"><p>A Marcha Mundial das Mulheres decidiu, durante o evento em São Paulo pelo emprego e contra a crise, enfatizar a luta do povo palestino pela terra. Uma grande faixa lembrava o Dia da terra, desde 30 de março de 1976 (quando seis palestinos foram assassinados pelo exército israelense durante uma mnifestação) uma homenagem à resistência. Sua representante no ato, Miriam Nobre, fez um discurso quase todo econômico durante sua fala, em frente do Teatro Municipal, mas deixou um recado a favor da luta palestina.</p>
<p>Miriam Nobre fez seguramente o pronunciamento mais incisivo do ato unificado entre centrais sindicais e movimentos sociais, em meio a discursos repetitivos e (ou) mornos na Praça Ramos. Mas foi uma fala bem internacional – nada de referências específicas às políticas brasileiras, econômicas ou de gênero. Ela criticou o sistema econômico como um todo, disparou até contra a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e disse que as mulheres estavam decididas a não ser razoáveis. “Nós, mulheres, não somos razoáveis. Não vamos desistir enquanto não destruirmos o capitalismo e o patriarcado”.</p>

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		<title>Este site está em fase de transição</title>
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Em breve, o site do Repórter Social volta com novo visual e em nova plataforma.








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<div id="WordsSecd5899a3aadfe595f509854745c530429"><p>Em breve, o site do Repórter Social volta com novo visual e em nova plataforma.</p>

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		<title>A fome no Brasil e no mundo, por Aloysio Biondi</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 03:00:00 +0000</pubDate>
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&#8220;por ALCEU LUÍS CASTILHO
Aloysio Biondi nadava contra a corrente. Em 2000, participava de um curso de Jornalismo quando o jornalista Aluízio Maranhão o citava como uma das referências em sua formação. Perguntei por que, então, Biondi estava fora da grande imprensa – naquela época, assinando seus artigos cirúrgicos na revista Bundas, dirigida pelo Ziraldo. A [...]


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<div id="WordsSecc3ea5a47b8bf8c4923ad28244ac492f8"><p>&#8220;por ALCEU LUÍS CASTILHO<br />
Aloysio Biondi nadava contra a corrente. Em 2000, participava de um curso de Jornalismo quando o jornalista Aluízio Maranhão o citava como uma das referências em sua formação. Perguntei por que, então, Biondi estava fora da grande imprensa – naquela época, assinando seus artigos cirúrgicos na revista Bundas, dirigida pelo Ziraldo. A resposta foi mais ou menos assim: “É que a visão econômica que ele defende não condiz mais com o tipo de cobertura atual nas redações”. Maranhão não fez a constatação em tom de lamento, parecia concordar com aquilo – afinal, dirigira o “Estadão” por vários anos e poderia ter aberto ali espaço para o jornalista. E pensei: ué, mas o discurso nos jornais não costuma ser o da abertura à diversidade? Por que no jornalismo econômico isso teria de ser diferente?<br />
Não conheci Biondi. Tenho até hoje a lista de um vôo que não peguei, para Brasília, naquele mesmo ano de 2000. Era a final do prêmio Líbero Badaró e o jornal (o mesmo “Estadão”) não me liberou. Ele era um dos jurados. Não ganhamos o prêmio e, muito mais importante, perdi a chance de conhecê-lo. Poucas semanas depois ele morreu.<br />
Agora os filhos e amigos dele cuidam de um site em sua homenagem. A reunião de textos publicados em sua longa carreira acaba de ultrapassar mil documentos (cerca de metade da produção total do jornalista). Sim, considero-os documentos da história recente do Brasil.<br />
Abro o site e clico na palavra “fome”. Nada mais atual que a crise mundial na produção de alimentos, não é?<br />
Começo com um artigo para a Bundas, de 1999. intitulado: “Trigo para os porcos, dona Ruth!” Ele se referia a uma notícia sobre colheita de trigo jogada nos chiqueiros, currais e galinheiros do Paraná, “para alimentar porcos, bois e galinhas”. Os agricultores não tinham para quem vender a produção. Biondi criticava a suspensão da entrega de cestas básicas para 8,5 milhões de pessoas no Nordeste e em outros bolsões de pobreza. Dispara o jornalista:<br />
- <i>Os mesmos alimentos que estão sobrando no campo são cortados das cestas. Ruína para milhões de famílias de agricultores, fome para milhões de brasileiros. Compras do governo representariam renda, emprego, consumo no interior – e crescimento para toda a economia. E o inacreditável genocídio que está ocorrendo nas regiões pobres seria evitado. Ah, sim, os porcos vão luzidiamente bem, obrigado</i>.<br />
Vou em frente. Agora é um artigo na “Folha de São Paulo”, de 1994: “Como estoques de alimentos apodrecem os estoques de alimentos.” O problema era similar: “Milhões de toneladas de arroz, feijão, milho, ou café apodrecendo nos armazéns. Qual brasileiro não viu essa notícia nos jornais, ou imagens dramáticas na TV algumas dezenas de vezes nos últimos meses?” Mas dessa vez Biondi defendia não exatamente o governo, mas o Estado, segundo ele responsabilizado equivocadamente pelos fatos. Vejam:<br />
-<i> A verdade é exatamente o contrário. O apodrecimento de colheitas, milhões de toneladas, é o resultado da atuação dos grupos empresariais que, com a ajuda de ministros e formadores de opinião, tomaram de assalto a economia brasileira, e promovem verdadeiro saque dos bens públicos em todas as áreas –inclusive alimentos. São os grupos que fingem defender a &#8220;privatização&#8221;, mas o que procuram é manter negócios bilionários, às custas da classe média e do povão brasileiros. </i><br />
Estamos agora em 1975, e Biondi pergunta, na Gazeta Mercantil: “Onde há coragem de ir à raiz dos problemas?” Ele falava do Plano Nacional de Alimentação, que, em sua definição, visava a “distribuição de alimentação ‘suplementar’ (que, para milhões de brasileiros é um eufemismo, já que são vítimas da fome endêmica) às populações marginalizadas”. E trata de uma questão que, pela nomenclatura atual, poderia ser resumida em: agronegócio ou agricultura familiar?<br />
-<i> Dos estudos realizados por vários Ministérios, surgiram duas alternativas: produção de alimentos industrializados, por grandes grupos empresariais, ou produção de arroz, feijão, milho, por parte – atente-se – de milhões de pequenos produtores. A primeira proposta levaria forçosamente, como o demonstra a experiência, à concentração também da produção agrícola, pois as grandes empresas logo formariam grandes projetos agroindustriais (&#8230;)</i><br />
Ao fim desse texto, ele completa: “Está na agricultura a raiz dos problemas brasileiros. Dos desperdícios e distorções de todos os tipos.&#8221;<br />
Tudo isso entre dezenas de textos que podem ajudar muito em nossa reflexão atual – e percepção histórica – sobre o tema.<br />
O último texto sobre fome encontrado no site não traz data, mas foi publicado, também na “Folha”, durante o governo de Ronald Reagan: “O Brasil não fica no Hemisfério Norte”. Aqui o problema dos alimentos ganha uma visão internacional:<br />
- <i>A notícia de que o governo Reagan vai propor que os outros países exportadores de alimentos também reduzam sua produção, para combater os “excedentes” mundiais, exige meditação por parte desses personagens. Surgida no exato momento em que os problemas dos países pobres são discutidos em reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, a iniciativa dos EUA mostra o divórcio que continua existir entre o Norte e o Sul. Ao norte, os países ricos (pois a Comunidade Econômica Européia também deseja a redução da produção agrícola) mantêm uma postura imutável, não tomam conhecimento de todas as propostas surgidas nos últimos anos na FAO, na Unctad, na Comissão Brandt, em favor de uma nova Ordem Econômica Mundial – em que a integração das economias dos países ricos e pobres permitisse o aumento da renda, a redução da miséria, a redução da fome para centenas de milhões de seres humanos do 3º Mundo. Impermeáveis a essa tragédia humana, os EUA e demais países ricos continuam a apontar a mesma saída que sempre apontaram: reduzir a produção, reduzir o nível de emprego, aumentar a fome, aumentar a miséria. Fácil. Simples.</i><br />
O site em homenagem ao jornalista (e ao jornalismo de qualidade, preocupado primordialmente com seres humanos, e não empresas ou mercados) é o www.aloysiobiondi.com.br. Fica a sugestão: não tem como traduzir para o francês e enviar uns trechos para o Pascal Lamy?<br />
<b>Contatos:</b><br />
E-mail: brasilbiondi@yahoo.com.br<br />
São Paulo: Antonio Biondi &#8211; (11) 7488-5449<br />
Brasília: Pedro Biondi &#8211; (61) 8162-1991<br />
Rio de Janeiro: Oona Castro &#8211; (21) 8181-2505<br />
&#8220;</p>

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